sábado, 26 de dezembro de 2015

Título: Magisterium: O Desafio de Ferro
Título Original: Magisterium: The Iron Trial
Autor(a): Holly Black e Cassandra Clare
Editora: Novo Conceito (Selo #irado)
Páginas: 384
Onde Encontrar: Livraria Saraiva - Livraria Cultura - Extra - Submarino
Avaliação: 

Com a promessa de tornar-se uma das próximas grandes sagas de livros infanto-juvenis, Magisterium, composta por 5 livros e escrita pelas incríveis Cassandra Clare (Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais) e Holly Black (As Crônicas de Spiderwick e A Garota Mais Fria de Coldtown), chega com um enredo bastante profundo, misterioso e repleto de magia. Não há como negar que um projeto desses; escrito por duas gigantes da fantasia adolescente, não gere uma ansiedade. Eu mesmo, fiquei bastante impaciente pela leitura e posso afirmar que foi uma aventura incrível.

Com um prólogo bastante interessante e atraente, que dá tom a história e ao universo onde ela vai ser construída, o leitor é fisgado e instigado a prosseguir a leitura e conhecer melhor seus personagens e que futuro os aguarda. 

O enredo gira em torno de Callum Hunt, um garoto de 12 anos que mora com o pai e sempre foi bombardeado por conselhos e avisos sobre os perigos e desgraças relacionados ao uso da magia. Isso acabou por gerar uma repulsa do garoto pelo dom que lhe é natural. Entretanto, o jovem Callum, é intimado a participar do Desafio de Ferro, uma teste de aptidões mágicas que todos os jovens bruxos devem passar para entrarem no Magisterium, uma escola onde eles serão treinados e preparados para utilizarem seus poderes. O pai de Call sempre o alertou do quão cruel é a vida dentro do Magisterium e o garoto sabe que deve falhar, sabe que deve fazer o possível para se dar mal nos testes, mas, o que todos não esperavam era que Rufus, o maior de todos os mestres, convocasse Call para ser seu pupilo. Agora, junto a Tamara e Aaron, o Magisterium aguarda Callum Hunt e ele não deverá medir esforços para sair daquele lugar; tão terrível e ao mesmo tempo incrível.
A narração em terceira pessoa evolui no decorrer do livro, mostrando bastante dos conflitos internos de Call, principalmente sua insegurança quanto às amizades, relação rara para o garoto que sempre foi taxado de esquisito pelos colegas de escola. e a deficiência que o faz mancar na perna esquerda, até então dita como uma condição de nascimento. Essa visão do livro é bastante interessante, uma vez que o torna mais próximo de grande parte dos leitores, criando uma empatia entre o real e a ficção.

As aventuras vividas dentro do Magisterium são incrivelmente envolventes. Entre as aulas e os desafios enfrentados pelos garotos no decorrer do ano letivo, há discussões que remetem a temas comuns da vida adolescente e muito mistério por trás de tudo o que cerca o Magisterium e o mundo bruxo de Clare e Black. As autoras conseguiram criar um universo simples, partindo dos elementos da natureza (que é a base de toda a magia no enredo da série), mas com todo um brilhantismo característico das grandes obras de fantasia. Os elementais, seres criados a partir dos elementos (água, ar, terra, fogo ou caos) são, ao mesmo tempo, incríveis e belos, porém envoltos em toda uma misticidade e uma crueldade na sua criação.
Algo que vale ressaltar são as polêmicas semelhanças com Harry Potter. Sempre que algo novo, envolvendo magia, escola ou um trio de amigos aparece na mídia, logo surgem as comparações. Magisterium não é algo que foi criado para ser uma cópia da obra de J. K. Rowling. É completamente errado julgar algo dessa forma. Vivemos um momento da literatura, em que a fantasia infanto-juvenil é, em grande parte, de frutos da grande árvore que é Harry Potter. Quantos e quantos autores não foram influenciados pelas aventuras do Trio de Ouro? Cabe a todos entenderem isso e deixarem de lado opiniões imbecis e de menosprezo a tantas histórias maravilhosas que surgiram nesses últimos tempos.

No geral, O Desafio de Ferro me surpreendeu bastante, tive problemas com outros livros da Holly Black, mas sempre que a autora trabalha em parceria com alguém, o negócio parece funcionar melhor (maior exemplo são As Crônicas de Spiderwick, em parceria com Tony DiTerlizzi). Não esperava tanto da história, mas ela conseguiu me capturar muito bem. Me envolvi com personagens, me animei com as batalhas e me surpreendi com as revelações. Com certeza, logo, logo teremos resenha do segundo livro da série: A Luva de Cobre, porque não me aguento de curiosidade pelo que está por vir.


O Desafio de Ferro (Magisterium #1), de Cassandra Clare e Holly Black

Leia mais!

sábado, 19 de dezembro de 2015





Título: As Treze Relíquias
Título Original: The Thirteen Hallows
Autor(a): Michael Scott e Colette Freedman
Editora: Planeta
Páginas: 416
Onde Encontrar: Livraria Saraiva - Livraria Cultura
Avaliação:






"Há mais de sete décadas treze crianças foram designadas para cuidar de artefatos antigos, dotados com um poder primitivo e letal. As relíquias, como foram chamadas, deveriam ser mantidas por seus guardiões em total segurança e afastadas umas das outras. Entretanto, agora um homem sinistro e sua amante estão atrás delas, roubando cada peça e eliminando seus protetores, deixando um rastro de crimes violentos. Aparentemente por acaso, a jovem Sarah Miller se envolverá nessa trama perigosa e terá que correr contra o tempo para elucidar os enigmas que rondam sua nova vida. Serão os guardiões seres de outro mundo? Qual será o segredo das relíquias milenares? Por que justamente Sarah foi atraída para esse jogo mortal? Uma história inquietante, povoada de lendas que até hoje rondam nosso imaginário, As treze relíquias mostra que há forças que nunca devem ser despertadas." 
“As Treze Relíquias” é o primeiro livro de uma trilogia escrita por Michael Scott, um dos escritores mais populares da Irlanda e Colette Freedman, uma roteirista renomada. Somente o primeiro livro foi lançado aqui no Brasil pela Editora Planeta.

“As Treze Relíquias” é aquele tipo de livro que você espera muito dele e acaba se surpreendendo. Quando li o título e a sinopse me interessei bastante, pensando que seria mais um livro sobre adolescentes lutando contra monstros sobrenaturais, porém não é exatamente isso. O livro é bem adulto e denso. Durante a leitura me pareceu que os autores tinham escrito o livro totalmente separados, porque algumas partes da história se repetiam. Mesmo sendo em visões de pessoas diferentes a repetição desses fatos não se agregava em nada.

Com uma leitura fácil, mas não infantil, o livro é narrado em diferentes perspectivas, tonando a leitura mais dinâmica e fluida. Tem um ótimo acabamento e diagramação, assim como umas das capas mais bonitas dentre os livros que tenho.

O personagem que mais gostei foi o que menos apareceu, o mendigo Ambrose, pois ele me lembra os magos que gosto muito de ler em histórias de fantasia. Mas a maioria dos personagens me parecem bem monótonos. Não consegui criar nenhuma expectativa com eles, tornando a leitura um pouco cansativa. Os detetives desse livro são desnecessários de certo modo. Eu adoro romances policiais com detetives inteligentes, investigações e essas coisas de CSI, mas toda vez que o detetive Tony Fowler e a sargento Victoria Hearth apareciam eu já ficava meio:      



Não estava suportando mais esses dois, eles pareciam pessoas incompetentes brincando de “polícia e ladrão”.

Umas das cenas que mais gostei no livro foi quando toda a história das relíquias foi explicada; a sua criação com objetos normais como uma faca, uma panela... Os seus guardiões que protegem e repassam as relíquias de pai para filho e também quem as criou... Yeshu'a.
Toda a história das Relíquias e dos guardiões dá uma ar de mistério e magia, até porque elas realmente existem e estão em um museu hoje. Fico me perguntando se todas essas histórias são reais. E se não forem, como somos capazes de imaginar coisas tão surreais como esta?


As Treze Relíquias, de Michael Scott e Colette Freedman

Leia mais!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015




Autor(a): Edgar Allan Poe
Avaliação:




Nevermore!
Edgar Allan Poe era um cara sem sorte, ou com uma sorte macabra. Com uma vida rodeada de tragédias, acho, ele acabou juntando uma gama de sentimentos que o inspiraram para escrever toda a sua obra literária.

Poe Nasceu em Boston, Estados Unidos, em janeiro de 1809. Seus pais biológicos eram atores mas sem muitas condições, após seu nascimento o pai sumiu deixando mãe e filho sozinhos. Ela morreu pouco tempo depois, com tuberculose. Poe, então, foi adotado por John Allan, de uma família próspera em Baltimore. O garoto concluiu a escola primária e depois estudou na Inglaterra e, em seguida, na Universidade de Virgínia.

Com o desinteresse de John pelas poesias de Edgar, o jovem escritor fugiu de casa para se alistar nas forças armadas, onde serviu durante dois anos até ser dispensado. Quando retornou a família, sua mãe adotiva morreu.

Retrato de Virginia Clem,
 a prima de 13 anos de Poe.
Poe começou a escrever em prosa e passou os anos seguintes trabalhando em revistas e jornais, o que o obrigou a se mudar diversas vezes. Em Baltimore, casou-se com Virginia Clem, sua prima de treze anos (Pois é...). Em 1845, Poe publicou seu poema O Corvo, que foi um grade sucesso. Virginia morreu dois anos depois da publicação.

Poe começou um projeto para criar seu próprio jornal, mas morreu, aos 40 anos, antes de concluir. Com a causa da morte desconhecida, foi atribuída muitas vezes ao álcool, congestão cerebral, cólera, drogas, doenças cardiovasculares, raiva, suicídio, tuberculose entre muitos outros fatores possíveis.

Com tantas perdas em sua vida Poe acabou recebendo grande influência em sua obra. Em poemas e em contos, vemos frequentemente a tristeza de alguma mulher bonita que morreu ou que se foi pra longe.

A tendência dos escritores pelo fantástico, pelo misterioso, pelo macabro. Cultivando na sua obra esses temas, Poe personifica uma das tendências mais marcantes do movimento romântico transplantado da Inglaterra para a América. Poe foi, e ainda é, um grande escritor de horror, suspense e mistério que influenciou uma geração inteira.

Esses foram alguns contos que escolhemos para o mês do horror, vamos falar um pouco deles e mostrar os grandes frutos da mente horripilante de Edgar Allan Poe.

O Gato Preto


Um homem que sempre gostou de animais, desde sua infância, trouxe isso para sua vida adulta. Ele cria um gato totalmente preto e já meio lento da idade. Sempre cuidou muito bem do seu leal companheiro, que o seguia por todo canto, nunca teve problemas. Até que um ódio, um rancor, uma indignação, uma exaltação, uma fúria cresceu dentro dele como uma trepadeira, parasitando e matando-o por dentro. Expressa isso, malíssimo, com quem ele ama. Ou amava.
Pluto - esse é o nome do gato - foi meu bicho e companheiro favorito. Somente eu o alimentava, ele me seguia pela casa aonde quer que eu fosse. [...] Nossa amizade durou, desse modo, por vários anos, durante os quais meu temperamento geral e caráter [...] experimentaram uma alteração para pior. Tornei-me, a cada dia, mais taciturno, mais irritavel, mais sem consideração pelos sentimentos alheios.

A Máscara da Morte Rubra


Em um mundo distópico, onde uma doença repugnante, a Morte Rubra, devasta toda a humanidade. O Príncipe Prospero, determinado a fugir desse horror, se refugia em seu castelo envolto por uma muralha. Consigo, ele leva pessoas da alta burguesia. Prospero confiante de que está seguro, realiza festas com frequência. Celebrações organizadas e enfeitas com ajuda de seu duque, que tem uma grande criatividade. Em sua última festa; a mais elegante, porém, um convidado inesperado surge para celebrar com Prospero e com todos os outros.
A “Morte Rubra” havia muito devastava o país. Jamais se viu peste tão fatal ou tão hedionda. O sangue era sua revelação e sua marca. A cor vermelha e o horror do sangue. Surgia com dores agudas e súbita tontura, seguidas de profuso sangramento pelos poros, e então a morte. As manchas rubras no corpo e principalmente no rosto da vítima eram o estigma da peste que a privava da ajuda e compaixão dos semelhantes. E entre o aparecimento, a evolução e o fim da doença não se passava mais de meia hora.

Berenice


Egeu é um homem que possui uma condição incomum. Ele tem constantes períodos de foco extremo. Ele simplesmente foca sua mente e seus esforços em algo e ali perde-se. Não existe mundo, pessoas, ou nada ao seu redor que o tire a concentração. Ele sempre vivera com sua prima Berenice, uma jovem moça muito vívida e feliz, enquanto Egeu, sempre envolto por seus devaneios, era distanciado do convívio social, o que não o impedia de voltar seu olhar fixo para a prima, que sempre o cativara e tornara-se sua paixão. Contudo, um grande mal acomete a jovem Berenice, desfigurando seu rosto e a tornando um ser fraco. Entretanto, algo de suas antigas feições se conservou; seus belos dentes, os quais jamais sairão da mente de seu primo Egeu. 
É mais que provável que eu não esteja sendo compreendido; mas receio, na verdade, não existir nenhum modo possível de transmitir à quase generalidade dos leitores, uma ideia adequada dessa nervosa exacerbação de interesse com que, no meu caso, os poderes de meditação (para evitar termos técnicos) se ocupavam e absorviam na contemplação dos objetos, mesmo os mais comuns do universo.

O Caso de Valdemar



Um hipnotista quer completar sua pesquisa sobre a hipnose, porém, falta-lhe completar um último experimento: hipnotizar alguém prestes a morrer. Ele conhece Valdemar, um homem que está debilitado por uma doença e os médicos não lhe dão nem mais um mês de vida. Depois de conversar com o hipnotista, Valdemar acaba aceitando que ele seja hipnotizado quando estiver à beira da morte. Pouco tempo depois o hipnotista recebe um recado, Valdemar irá morrer logo.
Enquanto eu falava, ocorreu sensível mudança na fisionomia do magnetizado. Os olhos se abriram devagar, desaparecendo as pupilas para cima; toda a pele tomou uma cor cadavérica, assemelhando-se mais ao papel branco que ao pergaminho [...] Ao mesmo tempo o lábio superior retraiu-se, acima dos dentes que até então cobria por completo, enquanto o maxilar inferior caia com movimento audível, deixando a boca escancarada e mostrando a língua inchada e enegrecida.

O Corvo


O mais famoso trabalho de Edgar Allan Poe, que remodelou o gênero de terror, traz as bases de uma nova visão do imaginário gótico. Tenebroso e perspicaz, é um relato de amor, perda e despedida; que tornou o corvo, o arauto da morte, da solidão e da melancolia, visão incrivelmente difundida após a publicação do texto. É tido como o ápice da criação de Poe e, sem dúvidas, é um grande retrato do autor, de tudo o que ele passou durante sua vida permeada pela melancolia e a morte. 
Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?”
E o corvo disse: “Nunca mais”.
Edgar Allan Poe é um dos maiores escritores que alguma vez já pisou nesse mundo, tendo a inspiração nas piores situações imagináveis, ele compôs uma obra esplêndida, jamais vista e que lançou a base de todo o horror que temos nos dias atuais. Seus contos e poemas são extremamente profundos e cheios de nunces quanto ao ser humano e sua podridão. Uma visão bastante pessimista, mas cheia de um sentimento e de uma "pureza". Poe, sem sombra de dúvidas, é um escritor que ficará por bastante tempo ainda na memória de todos, perpetuando sua obra e seu sentimento.



Edgar Allan Poe: Contos de Horror! #MêsDoHorror

Leia mais!

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Como falamos anteriormente, esse mês vamos começar a trazer para o blog um pouco dos quadrinhos e mangás que acompanhamos. E para esse mês do horror, trouxemos três mangás incríveis e bastante aterrorizantes até. Another talvez seja o mais conhecido e querido dos três, mas Uzumaki, com sua história que beira a insanidade é, para mim, o mais terrível dos três. Já o Clube do Suicídio é um mangá baseado num filme homônimo que causou uma tremenda polêmica pelo Japão, tornando-se, inclusive, um ícone no país.

ANOTHER


Sendo um dos mangás/animes mais comentados nos últimos anos, Another nos apresenta Kouichi Sakakibara, um garoto de 13 anos que devido a uma doença bastante grave, se muda para uma cidadezinha no interior do Japão, onde sua família paterna reside. Lá ele é matriculado na escola local, a Yomiyama North Middle School. Ainda no hospital, depois de uma internação, ele recebe a visita dos três líderes de sua classe; garotos misteriosos e bastante sérios. Ao iniciar o período letivo e chegar na sala de aula, Kouichi senta-se ao lado de uma cadeira velha, totalmente esquecida no canto da sala. Lá se senta uma garotinha que sempre usa um tapa-olho. Contudo, ninguém parece conhecê-la ou, ao menos falar com ela, além dele. E isso intriga bastante o garoto, que começa a querer descobrir quem é aquela garota, porque ela nunca e notada e o mais importante, se ela não seria um espírito. Além de tudo, uma maldição ronda a cidade, mais precisamente a sala de Kouichi, na qual vários alunos ou pessoas relacionadas a eles começam a morrer de maneiras surreais. Kouichi sabe que há uma ligação entre a garota e tudo isso, e ele irá em busca de respostas.


Não dá para negar que todos que leram ou assistiram Another tem um carinho especial por essa bela e misteriosa história de terror e morte. Misaki e Kouichi com certeza cativaram muitos, e a mim inclusive; os momentos de tensão, o mistério que ronda a sala 03, a construção dos personagens e do enredo são incríveis. Além, claro, de um traço de desenho lindo e cheio de sutilezas, que marcam bastante. 

Por fim, continuo dizendo que Another é um mangá muito bom e cativante. Com mortes que podem lembrar bastante de filmes como Premonição, o mangá/anime supera qualquer comparação ao trazer toda uma onda de mistério e investigação, o tornando completo. De certa forma, é assim que eu vejo Another, uma história completa, com um enredo muito bem orquestrado e um final bastante merecido e surpreendente, que até me fez parar e repensar em todo o restante da história, para ver se deixei algo passar.

CLUBE DO SUICÍDIO


Chamado no Japão de Jisatsu Circle, O Clube do Suicídio é conhecido pela imensa polêmica que causou desde o lançamento do filme e da subsequente publicação do mangá. Contudo, ele aborda e até mesmo estrapola um tema bastante recorrente quando se fala no Japão, país com o maior número de suicídios no mundo. Talvez seja por essa extravagancia que tanto filme como mangá ainda são mal vistos por muitos, mas mesmo assim, tornaram-se ícones do horror japonês.

A história do mangá é bastante diferente da mostrada no filme no qual o quadrinho foi baseado. A pedidos do próprio diretor, o autor Fulano da Silva desenvolveu um enredo diferente, mas que contivesse elementos do filme. O que surgiu foi um enredo bastante explicativo para toda a trama. Nessa história, assim como no filme, a cena inicial nos mostra o suicídio em massa de 34 garotas que se jogam nos trilhos do metrô e são instantaneamente destroçadas. Entretanto há uma sobrevivente Saya, uma garota que tem tendências depressivas e até mesmo doentias. Sua melhor amiga, Kyoko, é a narradora da história e através dela vemos como Saya tranformou-se profundamente desde que conheceu a Mitsuko, uma jovem enigmática que sempre era vista rodeada por outras garotas, como uma espécie de líder. 

Após o incidente e a recuperação de Saya, Kyoko continua sem entender porque elas fizeram aquilo. Sempre que tenta conversar com Saya sobre o assunto, a menina apenas fala que Mitsuko desejava aquilo, que ela queria que todas se jogassem. Não suportando mais o estado da amiga, Kyoko resolve investigar quem realmente era Mitsuko, e com a ajuda de um professor (O personagem mais feio e esquisito que já vi em um quadrinho) que vive fuçando a internet em fóruns esquisitos, ela vai descobrir mais sobre o passado, ao mesmo tempo em que vê sua amiga evoluindo de uma garota depressiva a uma nova líder, uma nova Mitsuko. O Clube do Suicídio está se formando novamente. 

Eu realmente amei a ideia e o enredo do mangá (ainda não pude ver o filme). Mas sim, ele tem algumas falhas, principalmente durante a explicação sobre outros Clubes do Suicídio formados anteriormente e sobre a figura da Mitsuko, a grande líder dos grupos. A meu ver, o mangá deixou isso um pouco vago, mas é de se pensar que é proposital. A percepção de Kyoko, sendo amiga de Saya, é pouca em relação ao que está acontecendo, então toda a descoberta feita é bastante superficial. 

Enfim, pouca coisa me desagradou em O Clube do Suicídio, temos uma história bem construída e personagens bem apresentados. Há diversos momentos que deixam o leitor bastante intrigado e tenso. As lembranças de Kyoko e os momentos finais do mangá são emocionantes e até surpreendentes. Quanto a essas cenas não há o que reclamar, são incríveis e o final te faz pensar bastante e pedir por mais. Porque a única certeza que ele te dá é que o Clube do Suicídio jamais vai acabar.

UZUMAKI


Uzumaki é, sem nenhuma dúvida, um dos mangás mais esquisitos que eu e muitos outros já lemos. A história é narrada em pequenos contos, de maneira que cada capítulo corresponde a um pequeno enredo. De maneira geral Uzumaki mostra como a cidade de Kurozu-cha é aterrorizada por espirais. SIM, A FORMA GEOMÉTRICA! Pode parecer bastante estranho e até mesmo idiota, mas a criatividade com que Junji Ito, o autor, constrói seu enredo é incrível.


Kirie é uma garota bastante comum que sempre viveu e estudou em Kurozu-cha, seu amigo e depois, namorado, Shuichi também mora na cidade e tudo começa quando a garota vê o pai de Shuichi observando um caramujo na parede de um beco. Com o passar dos dias ela descobre que o homem passou a colecionar absolutamente tudo que tivesse a forma de uma espiral. Shuichi sempre diz que seu pai anda bastante estranho e que sente que algo ruim rodeia a cidade, que ela está amaldiçoada. A situação começa a se mostrar grave quando a mãe de Shuichi joga fora todos os objetos em espiral da coleção do marido. Ao chegar em casa e descobrir isso, o homem enlouquece mas afirma não ter nenhum problema pois poderia fazer espirais com o próprio corpo. Ai surge uma das incríveis cenas memoráveis do mangá, onde o pai de Shuichi enrola a língua completamente, formando uma espiral. Dias depois, quando ninguém está em casa o pai recebe uma encomenda e quando Shuichi e sua mãe chegam notam a falta do homem. Ao entrarem na sala onde ele guardava suas espirais há um grande recipiente circular. Quando Shuichi o abre, o terror começa a mostrar do que é capaz e a maldição da espiral torna-se evidente.

A história avança e a cada nova história, vemos o poder maligno da espiral. Amigos e conhecidos morrendo das maneiras mais malucas e inimagináveis, acontecimentos  surreais e estranhos, tudo sendo o pano de fundo para um mal terrível que cobre a cidade. Kirie e Shuichi devem fugir da cidade o quanto antes e prevenir que algo extremamente macabro aconteça ao casal, contudo, será que a maldita espiral os deixará escapar, ou acabará atraindo eles cada vez mais para o centro de todo o mal? 

Como já falei a criatividade no desenvolvimento desse mangá é surreal. Todas as histórias são bem contadas e bem atadas, de modo que temos uma trama linear e bem centrada nos acontecimentos em Kurozu. Kirie e Shuichi são personagens bem desenvolvidos e os demais, mesmo com uma aparição reduzida, também são bem marcantes no decorrer das histórias.



Durante a leitura, confesso que senti um pouco de nojo em algumas partes, mas como toda história de horror, são esses momentos que mais marcam e dão o ar à trama. Um dos momentos mais grotescos, sem dúvidas, é quando um dos alunos da escola transforma-se em um caracol. É extremamente bizarro. Outra coisa bastante interessante é como as espirais são colocadas dentro das histórias, seja no fato de cobras de se enrolarem para acasalamento, ou no fato de os cabelos terem cachos em forma espiral. Tudo isso foi trabalho do autor que, como ele mesmo fala, passou bastante tempo obcecado, assim como seus personagens, pesquisando tudo o que podia sobre essa magnífica forma que é a espiral. Inclusive, ele chegou a formular uma teoria bastante interessante para o fato de todos os personagens que estão "contaminados" pela espiral quererem atenção toda para si. Confesso que não seria algo que eu imaginaria fácil.

Enfim, Uzumaki é uma leitura incrível para quem gosta de horror, além de um dos mangás mais incríveis que eu já li. Junji fez um trabalho de pesquisa bastante interessante e criou um enredo maravilhoso. Certamente ele conseguiu me prender bastante a forma, fui "contaminado" também. Uma forma tão comum, mas tão enigmática e significativa. Um mangá que atrai pelo surreal e prende você até o fim, que por sinal é desolante e incrível.

Mangás de Horror #MêsdoHorror

Leia mais!

domingo, 1 de novembro de 2015

Título: Joyland
Título Original: Joyland
Autor(a): Stephen King
Editora: Suma das Letras
Páginas: 240
Onde Encontrar: Livraria Saraiva - Livraria Cultura - Extra - Submarino
Avaliação:

Considerado por muitos como um dos melhores livros já escritos por King, Joyland não trás um apelo grande ao horror, costumeiro nas obras do autor. Há traços bem característicos, mas que constroem apenas um pano de fundo para uma história profunda e extremamente cativante. Não sei se me interessei pelo grande apego que tenho a parques de diversão ou pelo maravilhoso enredo; creio que um pouco dos dois. De uma coisa tenho plena certeza, Joyland não é um livro qualquer, ele deixa marcas e consegue mexer com suas emoções. 

Devin Jones é um rapaz de 21 anos que arruma um emprego durante as férias de verão em Joyland, um parque de diversões. Lá ele vive emoções e situações que jamais imaginaria, conhece pessoas incríveis e faz amigos que guarda para sempre, como Erin e Tom, que compõe sua equipe de verão. Erin trabalha como uma Garota de Hollywood, meninas de vestido verde que andam pelo parque vendendo fotos para os visitantes. Já Tom, assim como Dev, é responsável pelos serviços gerais que incluem cuidar dos brinquedos, retocar a pinturas das diversas atrações, limpar tudo e o serviço mais prestigiado e duro em Joyland: "vestir a fantasia". E é dessa forma que Devin ganha o carinho e apreço da maioria dos funcionários, mas algo estranho marca a história de Joyland. Uma garota, Linda Gray, foi assassinada no trem fantasma; o criminoso fugira e aparentemente, o espírito da garota ainda ronda pelo lugar, assustando os funcionários. Devin quer vê-la, mas acima de tudo, quer descobrir o que aconteceu com a garota e quem é o verdadeiro culpado. Para isso ele contará com a ajuda de seus amigos um garoto que tem um dom bastante especial. 


Terminei a leitura há poucos dias e ainda me pego pensando sobre tudo. Joyland me prendeu de uma forma gostosa e intensa. Como toda obra de Stephen King, a história evolui e se desenrola de maneira excepcional. Tudo bastante bem construído e ambientado em um parque simples (nada comparado a disney, ou outros gigantes do ramo), mas repleto de uma magia que o torna incrível. Os personagens de King também são muito bem construídos, todos com uma história e uma profundidade que os tornam próximos ao leitor. Apaixonei-me pelo pequeno Mike, Erin e por Emmaline Shoplaw, personagens bem caracterizados e que deram um tom mais gostoso a história. Nunca me apego tanto a personagens principais, mas Devin também tem um brilho especial, principalmente por sua evolução durante a história, pelo seu amadurecimento pessoal. Tenho certeza que Joyland o tornou melhor, mais seguro e forte.

Outro aspecto bastante interessante do livro é a dinâmica dos grandes parques que King mostra muito bem, usando de termos que se assemelham aos que realmente são usados (o Colóquio, a língua dos parques), mostrando situações comuns ao dia-a-dia dentro de Joyland e de qualquer outro parque e construindo um lugar que favorece a imersão, faz o leitor querer conhecer Joyland, ver as diversas atrações e como tudo se desenrola.

Além de tudo isso, o enredo de mistério por trás do parque foi muito bem orquestrado, as cenas relacionadas a Linda Gray e a sua história foram bastante interessantes e o desfecho surpreendeu bastante. Não há como negar, King novamente faz um trabalho incrível e mágico. Com tons de horror e suspense que sempre engrandecem suas histórias, ele conseguiu surpreender e levar brilho a imaginação do leitor, preso em num parque magnífico, onde se vende diversão.


Joyland, de Stephen King #MêsdoHorror

Leia mais!

terça-feira, 27 de outubro de 2015




Título: Os Goonies
Título Original: The Goonies
Autor(a): James Kahn
Editora: DARKSIDE
Páginas: 240
Onde Encontrar: Livraria Saraiva - Livraria Cultura
Avaliação:




“Os Goonies é, na verdade, um filme sobre a amizade, sobre manter-se unido. O sonho de toda criança é poder estar no controle de seu próprio destino, ainda que apenas por um sábado à tarde. Não seria incrível nunca perdermos esse sonho? A verdadeira magia dessa história está sobretudo naquilo que eles se tornam uns para os outros, de uma maneira muito especial.” – Steven Spielberg 
Os Goonies é um filme imaginado e produzido por Steven Spielberg, juntamente com Chris Columbus, em 1985. Foi um grande sucesso de bilheteria, pois os protagonistas eram crianças e naquela época os filmes só eram retratados no ponto de vista de adultos. Em 2013 a DarkSide lança Os Goonies, um livro escrito por James Kahn baseado no roteiro original de Chris Columbus.


Os Goonies é aventura cheia de mistérios e perigos. Com personagens de grande diversidade como o Gordo, Bocão, Dado, Brand, Andy, Stef e Mikey o narrador da história. Todos moram em uma casa branca de madeira de três andares em um parte da cidade conhecida como as Docas Goon. Tudo estava bem até o Country Club Hillside, dono de quase todas as propriedades das Docas Goon, resolver executar a hipoteca da casa deles. Todos estavam com medo de perder seu lar, e isso aumentava a cada dia que passava. Quando todos os meninos estavam na casa do Mikey, resolveram subir ao porão. Eles Nunca deveriam subir lá porque tinha centenas coisas do museu, onde o pai do Mikey trabalhava.

Acabaram descobrindo um mapa do tesouro, do famoso pirata Willy Caolho, que estava lá há bastante tempo e muitas pessoas buscaram e não encontraram nada desse tesouro. Mas de alguma forma Mikey sabia que ele conseguiria, sentia algo diferente, quase mágico. A partir daí, começa uma aventura incrível, porém perigosa. Passando por coisas que deixariam qualquer criança morrendo de medo, desde sanguessugas à pedras afiadas caindo em suas cabeças. Acima de tudo o livro mostra a amizade e a união dessas crianças para superar seus medos. Acabam se tornando mais unidos do que nunca para ajudar as suas famílias.


E como eu pude esquecer! Gordo acaba conhecendo o Sloth um dos filhos da Mama Fratelli. Com um grande coração de herói, acaba salvando os meninos e se tornando amigo dos Goonies.


Uma história incrível sobre a amizade. Me diverti bastante com o Bocão e sua... grande boca, com o Gordo e suas gordices, com o Dado que me lembra meu irmão, inventando coisas e com o Mikey que mesmo sendo o mais fraco e o mais desajeitado mostrou ser muito corajoso. Recomendo para todos que gostam de uma grande aventura, no estilo Indiana Jones, com um toque de horror e medo, mas mostrando o quão importante é a amizade e como o verdadeiro mal e terror pode não estar na criatura horrorosa, mas sim no ser humano cruel, egoísta e impiedoso.


Os Goonies, de James Kahn #MêsDoHorror

Leia mais!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

E ai galera, seguindo com o Projeto #♥LerNoCeará essa semana vamos apresentar dois autores bem diferentes, mas com uma grande criatividade e ótimas histórias. Alexandre de Almeida é estudante de jornalismo e autor de Magos da Música, livro que une duas grandes paixões do autor: a literatura e a música. Já Stélio Torquato Lima, professor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa na Universidade Federal do Ceará (UFC) escreveu diversos cordeis, entre eles Shakespeare Nas Rimas do Cordel, livro que transporta grandes textos da obra de Shakespeare para os versos de cordel, num trabalho cultural rico e maravilhoso.

Alexandre de Almeida

Um garoto sonhador que descobriu o mundo da literatura com mais afinco durante o ensino médio, Alexandre de Almeida nasceu em 1996, em Pentecoste, Ceará, mas mora em Fortaleza, é estudante de Jornalismo e Língua Espanhola e um bibliófilo assíduo. Sempre apaixonado pela música e resolvendo uni-la à sua nova paixão, a literatura, decidiu escrever Magos da Música, seu primeiro livro. Fragmedos é sua segunda obra, um desafio que impôs a si mesmo e que conseguiu cumprir em menos de um ano. Criativo e dono de uma imaginação fértilmente cativante, Alexandre sempre foi muito prestativo e gosta de se manter o mais organizado possível. Membro da ACeJE – Academia Cearense de Jovens Escritores, músico e blogueiro.


 Stélio Torquato Lima

Stélio Torquato Lima nasceu em Fortaleza, em 8 de outubro de 1966. É doutor em letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e professor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa na Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também coordena o Grupo de Estudos Literatura Popular (GELP). Em cordel, publicou a versão de 15 obras da literatura universal e também uma do romance Iracema, de José de Alencar. O cordel Lógikka, a Bruxinha Verde, de sua autoria, foi selecionado no Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 - Edição Patativa do Assaré, organizado pelo Ministério da Cultura. Em 2011, seu cordel O Pastorzinho de Nuvens foi premiado em primeiro lugar pelo PAIC (Programa de Alfabetização na Idade Certa), da Secretaria de Educação do Estado do Ceará.



Stelio Torquato e Alexandre de Almeida #♥LerNoCeará

Leia mais!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015


Ao contrário do que muitos pensam, Frankenstein não trata somente de um cientista maluco e sua criatura aterrorizante, criada a partir de restos mortais e reanimada por choques elétricos. Para começo de conversa, a autora não mencionou o uso de raios em nenhuma página do livro. Mas enfim, o livro de Mary Shelley é uma obra excepcional que merece o grande mérito que conquistou ao longo das décadas.

A criação da história se deu num encontro de Mary com outros três autores: Lord Byron, Percy Shelley, futuro marido da escritora, e John Polidori. Nesse dia, uma tempestade caia e eles estavam confinados numa casa de veraneio. Byron propôs que cada um criasse uma história de terror para apresentar aos demais. Nesse intuito, Polidori acabou escrevendo o conto "O Vampiro", que anos mais tarde, inspirou Bram Stoker na escrita de Drácula. Já Mary, demorou dias, até que surgiu com sua ideia e apresentou Frankenstein, ainda um conto. A jovem escritora tinha 19 anos e só 10 anos mais tarde é que veio a edição definitiva a partir do conto criado naquela noite.

O livro, em si, é narrado em primeira pessoa, e acompanhamos Robert Walton, um jovem que navega rumo ao pólo norte, em sua sede pelo conhecimento e descoberta de novas terras. Durante sua viagem, ele comunica-se com sua irmã por meio de cartas e essas correspondências é que são apresentadas durante o livro como forma de narração. Depois de um bom tempo, nosso jovem descobridor alcança os grandes mares congelados e vê ao longe uma figura grande e monstruosa comandando um trenó, uma visão que assusta os tripulantes. Poucos dias depois, Robert avista um homem à deriva e decide resgatá-lo. Mal sabendo da figura que acabara de abrigar em seu navio, Robert trata dele e de seus delírios, como a um ente querido.

Quando o homem alcança uma melhor saúde ele chama Robert e decide contá-lo sua própria história, a história de sua desgraça e destruição, numa forma de alertá-lo contra sua tentação pela descoberta e pelo conhecimento. Iniciamos assim a narração da história de Victor Frankenstein, desde sua infância até seu estado atual. Conhecemos a família Frankenstein e a jovem Elizabeth, adotada pelos pais de Victor e sua primeira e única paixão. Àquela época, o garoto desenvolve uma grande fascinação pelas ciências naturais, pelo mistério da vida, e ao atingir a idade adulta, o promissor cientista ingressa na Universidade de Ingolstadt na Alemanha. Lá, ele começa a conhecer toda uma nova realidade no que diz respeito às ciências, desmistificando muito do que o fascinara nos primeiros anos.

A partir desses estudos, Víctor acredita ter descoberto uma forma de gerar a vida, animar corpos mortos. (Nada que envolva raios, a princípio) E com esse pensamento, ele imagina dar vida a uma criatura. Montando todo um laboratório e juntando restos de corpos do necrotério onde trabalhava, Victor passa meses isolado, dando forma a sua criação. Contudo, ao ver que a criatura realmente está viva e desperta, o horror toma conta de seu corpo. O que ele acabara de fazer?! Fugindo do monstro e de sua própria loucura, ele abandona seu "filho" à própria sorte. Decidindo então voltar para casa e esquecer tudo, ele mal sabe que o monstro irá em busca de seu criador. O mais profundo desejo que move o monstro, um único pedido da criatura, poderá de vez destruir Victor e tudo o que há de mais precioso em sua vida.


Desde que li as primeiras páginas, já fui completamente cativado por tudo em Frankenstein, a forma como Mary Shelley decidiu contar sua história, as boas dosagens de drama e loucura, as descrições de personagens, lugares e ações. Tudo foi criado de forma magnífica. Como uma máquina bem programada, a história avança num ritmo que prende o leitor. Eu mesmo sempre estava querendo saber o que viria a diante, o que mais Victor teria que suportar como castigo por sua prepotência. Toda a construção do enredo e das cenas é um dos grandes detalhes que torna Frankenstein uma obra prima.

Outra coisa que cabe destacar bastante são os diversos temas e críticas abordados por Mary na narrativa. Há críticas à sociedade da época e seus padrões, críticas à natureza humana, e um dos temas mais interessantes, que acaba ficando escondido, é a fragilidade da vida e como isso pode afetar as pessoas. Quando a criatura de Frankenstein mata um de seus entes queridos é fácil e bem lógico perceber como aquilo afeta todo a família. O próprio Victor, ao narrar seu sofrimento, exprime essa ideia com bastante clareza. O nosso apego à família pode ser a chave para nos quebrar, para nos dilacerar. O monstro sabe disso e o usa como sua arma de vingança.

De todos os momentos que eu já apontei, acho que a mais interessante é a jornada do monstro, desde sua fuga do laboratório, até a busca por seu criador. Cada momento vivido por ele, as experiências negativas, o sofrimento, a curiosidade. A autora praticamente nos faz conviver com a criatura e sentir como um ser puro, sem nenhuma mácula, tornou-se um monstro real, capaz de matar por vingança. Vendo essa transformação eu mesmo me perguntei, quantas vezes as pessoas tornam-se ruins, amarguradas devido a experiências horríveis pelas quais passaram. A criatura de Frankenstein é um belo retrato disso.


Por fim, só posso dizer que esse foi um dos livros mais belos, loucos e incríveis que eu já li. Nunca imaginei que me apaixonaria tanto pela história. Uma obra que atravessou décadas, até mesmo séculos e ainda aborda temas tão atuais. Além de tudo, levantou as bases de outro gênero incrível que e a ficção científica. Só espero que Frankenstein permaneça ainda por muito tempo instigando e fascinando leitores, pois uma obra desse porte e profundidade não deve se perder jamais.


Frankenstein, de Mary Shelley #MêsdoHorror

Leia mais!

Copyright © 2015 Blankpagers | Designed With By Blogger Templates
Scroll To Top